Hoje quis fazer uma narrativa.
Tenho ouvido poucas histórias, demasiado consumido pelo acelerado tiquetaquear do dia-a-dia obstruído. Tenho saudades do tempo das histórias, do tempo em que me sentava durante horas a falar, a observar, a ‘absorver mundo’.
As escolhas que fazemos, e as vitórias que com elas conseguimos, às vezes parecem pouco mais que prémios de consolação. O que deixamos para trás, os lugares que deixamos em função das escolhas feitas, isso, o que abandonamos, às vezes seria mais que qualquer troféu, que qualquer feito memorável. Entender que, depois de ter ganho tantas vezes, os campeonatos mais importantes continuam todos por vencer, é relativamente inquietante.
Evitar a frustração pode ser difícil. Resignar-nos à insignificância das nossas taças e medalhas pode ser chocante, mas é neste pranto de decepções, nesta teia nostalgico-dramática, que podemos chegar a uma conclusão brilhante: ainda temos tempo para outros feitos, outras marchas triunfantes, outras histórias para contar.
Crescer é isto também. Reconhecer que algumas vitórias afinal foram pequenas quando nos pareceram gigantes, que algumas lutas eram afinal fáceis quando nos pareceram uma corrida pelo caminho mais custoso e acidentado de sempre.
Não sei se estou preparado para crescer, reparo agora. Tinha pensado que isto já estava tudo feito! Afinal a grande luta será ser capaz de disputar um desafio que nunca quis, chegar ao topo numa modalidade que nunca foi a minha.
Não consegui contar uma estória. E, merda para isto, só me saem metáforas manhosas sobre redomas, ambientes fechados e estufas. Tanta coisa só para poder explicar que estou a ficar burro e de vistas curtas. E, falha número dois, toda a gente já o sabia – até eu já o sabia.
Nem sei como é que só vi isto hoje. Tens aqui um post cheio de emoções, rapaz... e deixou-me triste, não gosto nada quando temos estas frustrações.
ResponderEliminarAo longo da vida fazes escolhas e é óbvio que vais deixando coisas para trás, que talvez tivessem sido escolhas bem melhores. Mas nunca o saberás, essa é a magia de tudo isto. Foi o que te pareceu mais adequado na altura, fez-te crescer (quanto mais não seja com os erros) e faz de ti o que és hoje, e possivelmente o que serás sempre. Nenhuma escolha é errada, digo eu. E como dizes, ainda tens tanto pela frente, que há tempo para fazeres muitas outras escolhas, para errares novamente e cresceres. Vais ver que em algumas dessas vezes vais acabar por fazer a escolha certa :) Vais acertando as prioridades!
Cada vitória, ainda que pequena, é uma vitória, e pode significar o mundo para nós. Deve ter o mesmo valor que todas as outras. Aliás, por mais cliché que isto seja, a verdade é que são as pequenas coisas que acabam por ficar, as mais preciosas, afinal de contas. Tudo o que é difícil dá mais gosto a conquistar - e tu sabes bem disso, não és pessoa de desistir facilmente.
Tu sabes dar valor ao que é importante, mesmo que sintas que não. Voltamos sempre ao mesmo: quem te conhece sabe bem que por baixo do que mostras há um bom coração, que sabe o que verdadeiramente importa na vida. E por tudo isto sei que conseguirás ultrapassar os desafios que aí vierem - se tu não conseguires, não sei quem conseguirá.
Continuo com um rácio muito positivo de comentários maiores que os teus posts, a comprovar que falo/escrevo demais. Whatever <3 Eu acredito em ti, só tens de acreditar também.
pedrocas, a vida é um desafio sabes bem disso, MELHOR que eu aliás. lembra-te que crescer é importante, mas não é totalmente necessário, vive cada momento como se fosse o último e tudo o conseguir desta vida, é o TEU MÉRITO e isso ninguém te tira, e só deves estar orgulhoso de ti.
ResponderEliminarestou sempre aqui, nao te esqueças.
beijinhos grandes <3 gosto muito de ti