Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Narrativa Fechada.

Hoje quis fazer uma narrativa.

Tenho ouvido poucas histórias, demasiado consumido pelo acelerado tiquetaquear do dia-a-dia obstruído. Tenho saudades do tempo das histórias, do tempo em que me sentava durante horas a falar, a observar, a ‘absorver mundo’.

As escolhas que fazemos, e as vitórias que com elas conseguimos, às vezes parecem pouco mais que prémios de consolação. O que deixamos para trás, os lugares que deixamos em função das escolhas feitas, isso, o que abandonamos, às vezes seria mais que qualquer troféu, que qualquer feito memorável. Entender que, depois de ter ganho tantas vezes, os campeonatos mais importantes continuam todos por vencer, é relativamente inquietante.

Evitar a frustração pode ser difícil. Resignar-nos à insignificância das nossas taças e medalhas pode ser chocante, mas é neste pranto de decepções, nesta teia nostalgico-dramática, que podemos chegar a uma conclusão brilhante: ainda temos tempo para outros feitos, outras marchas triunfantes, outras histórias para contar.

Crescer é isto também. Reconhecer que algumas vitórias afinal foram pequenas quando nos pareceram gigantes, que algumas lutas eram afinal fáceis quando nos pareceram uma corrida pelo caminho mais custoso e acidentado de sempre.

Não sei se estou preparado para crescer, reparo agora. Tinha pensado que isto já estava tudo feito! Afinal a grande luta será ser capaz de disputar um desafio que nunca quis, chegar ao topo numa modalidade que nunca foi a minha.

Não consegui contar uma estória. E, merda para isto, só me saem metáforas manhosas sobre redomas, ambientes fechados e estufas. Tanta coisa só para poder explicar que estou a ficar burro e de vistas curtas. E, falha número dois, toda a gente já o sabia – até eu já o sabia.

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Sinfonia incompleta.

Um dia vou cobrar-te a duplicar todos os minutos em que não te tive, vou cobrar-te todas as horas em que as minhas mãos tremeram sozinhas a suplicar pelas tuas, vou cobrar aos teus ouvidos a atenção para todas as músicas que te quis cantar.


http://www.youtube.com/watch?v=HO4e4nCYBEo

Um dia, vou abraçar-te e dizer-te o quanto gosto de ti e o quanto te quero feliz. Um dia vou deixar de esperar que ganhes coragem e que troques a energia pela comodidade. Um dia vou olhar-te nos olhos e deixar que os gestos calem as palavras.

Vais desligar as desculpas e exigir o menu grande em vez do normal, vais querer trincar cada fragmento do nosso sentir, vais correr para o impossível e largar o aborrecido convencional…


Nesse dia, o teu toque encontrará o meu e a música finalmente encontrará uma letra que lá caiba. Nesse dia, vamos fazer das tripas coração e desfazer a distância, vamos esticar os braços e destruir 300 km, fazer do espaço um mísero e contornável inconveniente.

Até lá, somos dois bombos descompassados, a tocar cada um por seu lado, desencontrados nas canções, encontrados nos murmúrios, no silêncio inquieto, na ausência e no suspiro da lonjura…


Encontra-me. Sabes onde estou. Sim, eu ainda não consegui sair daqui.

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Fim.

E com três letras se escreve fim. Se acaba com os três pontos, se deixa a reticência e se passa ao definitivo.

Há sempre mais autocarros que estações, e por isso, há muito mais viagens do que uma rota pré-definida. Está na altura de desligar o GPS e ir à aventura :)

Sexta-feira, 25 de Março de 2011

Página Encontrada: 15 de Setembro de 2008


Desliza a caneta, escorregam as palavras. Emaranham-se num texto, por onde caem à solta, por onde se embrenham, embrenham-se nas linhas, misturam-se, fugidias, pela nossa mente e pelo nosso coração. E escrevem-se textos, que querem pulsar, mostrar os verdadeiros sentidos.
Textos, com mais ou menos qualidade, debruçam-se na janela, à procura da cor do pôr-do-sol, da brisa suave do fim de dia… de algo que seja mais, que seja diferente, que ainda dê encanto às horas e saiba levar, com suavidade, os ponteiros do relógio.

Um dia, prometi que ia arranjar maneira de o parar. Não consegui, a vida não pára, e é parvo quem pense que para, mas quando se ajusta bem o relógio à leveza dos grandes momentos, tem outro sabor.

O sabor de uma calma queda de água, água doce, saborosa, fresca e branda… E caiu a gota, explodiu na inconstante firmeza e rectidão da terra, com um barulho quase inaudível, com uma força verdadeiramente retumbante.


Quinta-feira, 24 de Março de 2011

:)

"Se queres compreender a palavra 'felicidade', indispensável se torna entendê-la como recompensa e não como fim."

Antoine de Saint-Exupéry

E hoje a recompensa é poder ver, nos outros, o que já senti. Às vezes, nada melhor do que ver um sorriso no outro, desejar que tudo corra bem e esperar pela nossa vez.

Um bom dia!

Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

O mundo que seguramos.

Hoje é preciso construir um novo mundo, encontrar novas utopias e partir para a concretização dos sonhos que são de todos e que as fórmulas velhas já não conseguem resolver. Precisamos de encontrar gente longe das predisposições, dos conceitos fáceis e da crítica fácil do ouvi dizer.

Pessoas cujas mãos tenham tanta força para agarrar e cujos braços sejam tão poderosos que consigam segurar o mundo, construir novos impérios, formas de vida e culturas plurais, globais, que empreendam a mutação nas consciências e nos esvaziem dos maus vícios desta sociedade bolorenta e amarela, em que as vidas se constroem com base no apadrinhamento e em que as novas leis não são mais do que novas camuflagens de toda a falta de justiça.

Esta geração que dizem ter sangue na guelra, da qual eu faço parte, é a responsável por limpar de vez e de forma imediata todos aqueles que não queiram pensar para além do óbvio, que não saibam ser reflexivos o suficiente para perceber a sua própria pequenez e que insistam nas formas ultrapassadas, nos clichés e nas frases feitas para convencer uma plateia farta de incapazes, de líderes panfletários e de propaganda enganosa.

Eu sei que até eu sou pequeno demais para me achar capaz de conceber novas visões do mundo, mas é por isso que vos deixo aqui um apelo – ajudem, com a vossa consciência, com a vossa agilidade de pensamento, a construir um melhor, a evitar que a mediocridade ocupe os topos e a trabalhar no sentido da independência, do pensamento livre, da honestidade e do rigor.

Rendermo-nos às evidências, continuar no insulto fácil e apontar os dedos aos outros é sempre o caminho mais fácil, o dos que nada fazem, o dos que representam toda a amarela e cansada sociedade que ninguém gosta, mas de que quase toda a gente acaba, na desistência, por fazer parte.

Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

(Reposição) Tribunal do banco.

Passas, levemente, quase de forma disfarçada, para que não incomodes ninguém com a tua presença... Há quem te veja, muitos sorriem. Perguntam, despreocupadamente, se está tudo bem. Não querem realmente saber se sim, é só mais uma questão de 'etiqueta'. Etiquetas, marcas, futilidades, coisas que realmente interessam a essa gente. E naquele sorriso falso desejam-te felicidades, boa sorte, chegam até a dizer que gostam muito de ti. E às vezes ainda cais no erro de acreditar.

Depois de passares tu, vão passar aqueles que realmente não gostam de ti, novamente os anteriores lhe falarão e sorrirão, caso haja comentários sobre ti, dos piores, nem sequer moverão um dedo para que não sejam ali ditas mentiras. Ouvem, calam e às vezes até colaboram na ficção que criam sobre ti. O habitual.

Quando reparas, já tens uma data de histórias, quase de filme. E os invejosos também ajudam à festa e fazem isto e aquilo para te minarem a felicidade, colocam em causa sentimentos, pessoas, verdades e justiça.

Resistes, mais uma vez, estás seguro pela tua mão, que se fechou com força e baseada na confiança, no amor, na experiência e na vontade enorme que tens de foder quem ousa perturbar-te, te mantém ali... com uma segurança ténue, mas uma segurança permanente, que não muda - só cais quando queres, porque ainda tens aqueles em que confias de olhos fechados, que não precisam de perguntar se está tudo bem para tu saberes que se preocupam.


04/06/2008, confissões de um putozito.